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Custos, contratos e margens: o novo cenário da construção civil e engenharia | Axxis Contabilidade
Engenharia e Incorporadoras ⏳ 6 min de leitura

Custos, contratos e margens:
o novo cenário da construção civil e engenharia

A construção civil e a engenharia sempre conviveram com margens apertadas. Mas o cenário que se desenha em 2025 e 2026 colocou novas pressões sobre o setor: insumos com preço volátil, contratos mal estruturados, mão de obra escassa e regras tributárias em transformação. Empresas que não se adaptarem à nova lógica financeira do setor correm o risco de entregar obras no prazo, mas no vermelho.

Entender como custos, contratos e margens se relacionam — e como proteger a rentabilidade ao longo do ciclo da obra — passou a ser uma competência tão essencial quanto a engenharia em si.

+18%
Alta dos insumos
aumento médio no custo de materiais de construção nos últimos 24 meses, puxado por aço, cimento e componentes elétricos
3–6%
Margem líquida média
faixa de rentabilidade líquida típica em contratos de obras civis — qualquer desvio não controlado compromete o resultado
62%
Obras com desvio de custo
dos projetos de construção civil encerram com custos acima do orçamento inicial, segundo dados do setor

Por que as margens da construção civil estão sob pressão?

A formação de preço na construção civil é complexa. Diferente de outros setores, o ciclo de receita pode se estender por meses ou anos, enquanto os custos ocorrem desde o primeiro dia da obra. Essa defasagem temporal, somada à instabilidade dos insumos, cria um ambiente onde erros no orçamento inicial se amplificam ao longo do tempo.

Além disso, muitas empresas ainda trabalham com estruturas de custo pouco detalhadas, o que dificulta identificar em qual etapa da obra a margem está sendo consumida.

Engenheiros analisando planta e orçamento de obra
A análise de custo por etapa da obra é fundamental para manter a margem sob controle ao longo do projeto

Os três vetores de risco financeiro no setor

1. Custos: o que entra no orçamento e o que fica de fora

O orçamento da obra é o ponto de partida para tudo. Quando ele é feito sem metodologia adequada, os riscos aparecem cedo — e se acumulam. Os erros mais comuns incluem:

  • Subestimação do custo de mão de obra especializada
  • Não inclusão de encargos trabalhistas e previdenciários no BDI
  • Ausência de reserva para imprevistos e variações de insumos
  • Falta de separação entre custo direto e custo indireto da obra
  • Não atualização do orçamento quando o projeto sofre alterações
⚠ Pontos críticos de erosão de margem
  • Retrabalho não previsto que consome horas de mão de obra sem receita correspondente
  • Aditivos de escopo concedidos sem revisão formal do contrato e do preço
  • Atraso no recebimento de medições que força a empresa a financiar a obra com capital próprio
  • Tributação incorreta do regime de reconhecimento de receita (PoC vs entrega)
  • Prazo de garantia não provisionado como custo futuro no resultado da obra

2. Contratos: onde a rentabilidade é definida antes da obra começar

O contrato de prestação de serviços ou de empreitada é o documento que define as regras do jogo financeiro da obra. Um contrato bem estruturado protege a empresa construtora em cenários adversos; um contrato mal elaborado transforma qualquer problema operacional em prejuízo direto.

Cláusula Impacto sem estruturação Proteção com cláusula adequada
Reajuste de insumos Construtora absorve variação INCC ou índice setorial corrige o contrato
Prazo de medição Recebimento imprevisível Calendário fixo de medição e pagamento
Aditivos de escopo Trabalho extra sem remuneração Protocolo formal de aprovação e precificação
Multas por atraso Exposição total ao risco Teto percentual e excludentes de força maior
Retenção de garantia Caixa retido por prazo indefinido Prazo e condições de liberação claramente definidos
Responsabilidade por projetos Construtora responde por erros de terceiros Delimitação clara de responsabilidade técnica

3. Margens: como acompanhar resultado em tempo real

A grande armadilha da construção civil é descobrir que a obra foi deficitária somente após a entrega. Nesse ponto, nenhuma ação corretiva é mais possível. O controle de margem precisa ser contínuo, por etapa e por contrato.

Isso exige uma estrutura contábil que separe o resultado de cada obra como um centro de custo independente, permitindo comparar o orçado com o realizado em qualquer momento do projeto.

"Obra que não tem controle de margem em tempo real não tem gestão — tem surpresa. E na construção civil, surpresas quase sempre têm sinal negativo."
Canteiro de obras - gestão financeira e acompanhamento de resultados
Cada obra deve ser tratada como um negócio independente, com seu próprio centro de custo e acompanhamento de resultado

Tributação na construção civil: uma camada adicional de complexidade

Além da gestão de custos e contratos, as empresas de engenharia e construção enfrentam um ambiente tributário próprio, com regras específicas para:

  • Reconhecimento de receita pelo método PoC (Percentage of Completion), exigido pelo CPC 17 para contratos de longo prazo
  • Tributação do IRPJ e CSLL com base na receita reconhecida contabilmente, não no recebimento físico
  • ISS com regras de competência que variam conforme o município de execução da obra
  • INSS sobre a folha de obra e desafios na gestão do FGTS em contratos de empreitada
  • Impactos da Reforma Tributária sobre a cadeia de fornecedores e subcontratados, com reflexos no custo total das obras a partir de 2026

Empresas no Lucro Presumido precisam avaliar periodicamente se o regime ainda é o mais eficiente, especialmente em períodos de margens comprimidas, onde o Lucro Real pode representar uma carga tributária significativamente menor.

O que as empresas de alta performance fazem diferente

A diferença entre construtoras que crescem com solidez e aquelas que vivem na pressão financeira está, quase sempre, na qualidade dos processos de gestão — não apenas na capacidade técnica.

Práticas das empresas de engenharia com maior rentabilidade
  1. Orçamento detalhado por etapa de obra, com BDI calculado corretamente e reserva de contingência
  2. Contrato revisado por equipe jurídica e contábil antes da assinatura, com cláusulas de reajuste e aditivo
  3. Centro de custo individual para cada obra, integrado ao sistema contábil da empresa
  4. Reunião mensal de resultado por obra, comparando orçado x realizado x projetado até o fim
  5. Planejamento tributário anual com avaliação de regime fiscal e aproveitamento de benefícios setoriais
  6. Projeção de fluxo de caixa da obra com alerta de gaps entre medições e desembolsos
  7. Revisão periódica dos contratos com fornecedores para identificar oportunidades de redução de custo

Crescer na construção civil exige mais do que ganhar contratos

O setor de construção civil e engenharia tem todas as condições de crescer de forma sustentável em 2025 e 2026. A demanda por infraestrutura, habitação e projetos industriais permanece aquecida. Mas o crescimento sustentável exige que a empresa saiba quanto custa cada obra, como proteger sua margem em contrato e como acompanhar o resultado enquanto ainda é possível agir.

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Empresas de engenharia que integram gestão técnica e gestão financeira entregam mais obras no prazo, com margem preservada e caixa previsível. Esse é o padrão que diferencia os líderes do setor.
Grupo AXXIS — Contabilidade Consultiva para Engenharia e Incorporadoras
Nadielly Marques

Nadielly Marques

Publicitária

Responsável pela criação de conteúdo estratégico na Axxis Contabilidade. Combina comunicação, tecnologia e dados para transformar assuntos complexos em informação clara e acessível para empresários.